[OPINIÃO] A MALDIÇÃO DE OSÍRIS – ENTREGOU OU NÃO?

ANALISE

Olá Guardiões.

Depois de uma semana de seu lançamento, é fato que a Maldição de Osíris está dando o que falar aos fãs de Destiny. Talvez não como a Bungie gostaria já que existe uma certa desaprovação no ar desde o lançamento do Destiny 2, desaprovação essa que aconteceu numa escala menor com a primeira expansão do jogo.

A expansão era bastante aguardada pela fanbase de Destiny, já que o jogo precisava de alguns ajustes para tornar muita coisa relevante. E no dia 5 de Dezembro recebemos a primeira expansão de Destiny 2, com a esperança de coisas bacanas e novidades no jogo. Só lembrando que algumas das novidades prometidas pela Bungie foram prorrogadas para o dia 12 de Dezembro, tais como as armas com Obra Prima e a mudança na economia dos vendedores.


A Campanha

Tudo começa com uma cutscene mostrando Osíris entrando numa suposta simulação da Câmara de Cristal com sua Fantasma Sagira. Ele acaba descobrindo algo terrível ao olhar dentro de um dos portais criados por ele com um dispositivo estranho. Após isso, ele luta freneticamente com os Vex da simulação e decide mandar Sagira através de um portal até Mercúrio, para que ela se salve. Após isso, temos que ir até Ikora Rey para iniciar a campanha.

  • Visual: Falando sem muita cerimônia, eu até gostei da campanha. Visitar Mercúrio no passado, mesmo que numa simulação, foi uma grata e maravilhosa surpresa. Os cenários estão lindos como sempre. A Floresta Infinita, que eu vou falar bastante mais a frente, possui um visual muito interessante também. O novo inimigo central, Panoptes, tem um design muito legal e único.
  • História: Aqui as coisas complicam um pouco. Eu até curti o plot principal, apesar de ter algumas falhas, mas na minha opinião faltou aprofundar mais na história do Arcano que dá nome à expansão. Faltou falar, faltou mostrar, faltou termos mais interação com ele em missões de história, algo tão bem introduzido na campanha da Guerra Vermelha. A história é bem genérica, de fato, mas a maior falha dela é não ter nenhuma conexão com nada. Ela não teve nenhuma implicação no jogo principal, já que no fim da campanha Osíris decide ficar na Floresta Infinita e nem sequer vai lá apertar a mão do Irmão Vance ou nem cogita em realmente consertar as coisas voltando pra Cidade. Eu achei isso uma total incoerência com o universo do jogo, uma oportunidade perdida na verdade, mas percebi que talvez seja proposital que a expansão não acrescente nada na base criada pelo Destiny 2, apesar de eu não concordar com isso. Achei também que se perdeu uma oportunidade de enriquecer a história do jogo na missão onde voltamos ao Pyramidion. Penso que poderíamos ter visto este lugar diferente, tal qual o Asher menciona que viu quando foi lá, com um lago no final. Seria incrível ver essa referência e participar dela.
  • Tamanho: A campanha possui 8 missões de história, perdendo em tamanho apenas para o Rei dos Possuídos que possui 15. Os dois assaltos que vieram na expansão foram incorporados como missões de história e isso me agradou muito, pois me faz sentir que são parte da história e não apenas colocados num mapa/lista para que eu descubra como são e o que representam. Senti falta de mais missões INTERAGINDO com outros NPCs como Asher, por exemplo, que conhece muito dos Vex, ou com a própria Ikora, lado a lado conosco numa missão.

Conteúdo 

Como já mencionei falando da campanha, temos 8 missões de história com dois assaltos novos que são parte dela. Os assaltos podem ser jogados na lista de Assaltos Heroicos, com a dificuldade ajustada para essa lista. No lado do PvP, temos 3 mapas novos, sendo que um deles é exclusivo de PlayStation.

Mercúrio, nosso novo destino, é pequeno e com pouco conteúdo. A tão falada Floresta Infinita fica fechada até que você pegue uma Aventura ou missão que te leve lá dentro, o que é um desperdício do real potencial daquele lugar, na minha opinião. Eu esperava muito mais da Floresta depois que vi a live falando sobre ela, mas ela tem muito potencial para ser explorada de uma forma melhor, com outros tipos de acesso sem ser apenas aventuras ou missões da campanha. O novo Evento Público que foi “criado sob medida para Mercúrio” é interessante, mas enjoativo. Não achei correto limitar o planeta só a esse evento, já que temos Vex e Cabais lá. Só há um Setor Perdido no planeta, o que me causou uma certa frustração, e 3 novas Aventuras que são um misto de coisa legal e aborrecimento ao mesmo tempo, pois:

  • As Aventuras possuem duas versões: Normal e Heroica, sendo que a Aventura Heroica é um teste para sua paciência se você estiver jogando sozinho.
  • Uma vez que você complete a Aventura Normal, você habilita a versão Heroica dela.
  • As recompensas não mudam lá muita coisa, mas ajudam você a completar as armas da forja.
  • Eu esperava que as Aventuras na Floresta Infinita seriam usadas para contar histórias inacabadas do Destiny 1, como as questões de Kabr, Praedyth, A Rainha Mara Sov, Toland, Eris. Se um lugar que pode simular todo tipo de situação não puder ser usado para fechar as pontas soltas de Destiny 1, o que mais vai?
  • A parte legal é que nós visitamos lugares que podem ser usados para outras coisas no futuro (minha esperança), como a Câmara recém-descoberta que contém o corpo do São-14.

Na parte de equipamentos, poucas novidades. Um set novo na Eververso, outro no Irmão Vance e muitos ornamentos para equipamentos já existentes anteriormente. Alguns ornamentos são interessantes, outros são fracos. Uns poucos exóticos de Destiny 1 retornaram, como o Cervo, Elmo do São-14, Coelho de Jade, Telesto. E temos alguns novos equipamentos exóticos, como o canhão de mão Carmesim, o Lança-Granadas A Colônia, a famigerada Lente de Prometeu e algumas armaduras para todas as classes.

Gostei bastante dos novos emotes (o da selfie é sensacional), pardais, naves e cosméticos em geral. Alguns eu quero muito conseguir pegar, como as naves que mencionam Kabr e o São-14.

Temos uma Forja que libera armas misturadas com tecnologia Vex, mas que não possuem nada único além da aparência. E cada uma mais feia que a outra.

Senti falta dos equipamentos temáticos de Osíris, com aquela pegada egípcia mesmo. Esses novos que o irmão Vance dá são estranhos. As armas da Forja não são interessantes e são trabalhosas de se pegar, sem que você sinta que o investimento vale a pena. Talvez se elas possuíssem perks únicos contra os Vex seria mais interessante de pegá-las.

Os Assaltos Heroicos são bastante interessantes por que concedem recompensas que valem a pena, com um nível de dificuldade aceitável. Gostei muito da lista e aguardo as mudanças que virão para ela (modificadores, desafios).

O Antro da Incursão me causou surpresa. Achei muito interessante e muito bem feito. Tem mais ou menos o mesmo tamanho que a Incursão “O Fim de Crota” e sua temática é mista: você enfrenta os Lealistas de Calus para depois ser jogado numa área dominada pelos Vex e por uma Mente chamada Argos, Núcleo Planetário. O combate com essa Mente é incrível e exige cooperação e sincronização até maior que o Calus. Bola dentro da Bungie com esse Antro, espero que todos tenham essa pegada de novidade e sejam tão legais quando o Devorador de Mundos foi. Mas ainda espero que cada expansão tenha sua Incursão temática amarrada a história da campanha. Eu adoraria ter enfrentado Panoptes numa Incursão Vex.


A Obra Prima e a Economia

As armas Lendárias receberam uma alteração interessante: O fator Obra Prima. Você pode ganhar armas com esse diferencial ou aplicar em uma que não o possua, gastando fragmentos ganhos quebrando armas que possuam Obra Prima (Oi?). Mas o que muda na sua arma? Bom, nada que venha a quebrar o jogo, mas são pequenos aumentos de alguns status, dependendo da arma. Como é aleatório, pode vir aumento de impacto, alcance, magazine, etc. Os valores de aumento são de 5 ou 10 pontos, dependo do status. Você pode optar por Obra Prima do Crisol ou da Vanguarda, dependendo da escolha um marcador de baixas será adicionado na tela de status da arma mostrando o total de baixas com essa arma, dependendo de sua escolha (baixas no Crisol ou no PvE).

Todas as armas que possuem Obra Prima ganham a habilidade de gerar Orbes de Luz com baixas múltiplas. A grande novidade disso é que os Orbes também são gerados para quem os gerou, algo nunca visto antes no jogo. Um esquadrão equipado com armas possuidoras de Obra Prima podem pender a balança em seu favor em boa parte das atividades de Destiny 2. Eu gostei dessa adição, é algo mais a se buscar no jogo para aqueles que gostam do grind e uma boa adição ao nosso arsenal. Espero que isso seja o início de muitas inovações em como nossas armas interagem conforme a nossa utilização.

E os vendedores receberam um ajuste bem interessante: agora você pode ESCOLHER a peça de armadura que quer comprar neles. Claro, você ainda pode entregar as fichas e apelar para a aleatoriedade, mas não precisa mais se não quiser. Os sets estão disponíveis para compra direta por Fragmentos Lendários.

Alguns vendedores possuem agora Ornamentos para seus sets de armaduras, também algo mais a se buscar. O interessante é que, pra destravar os Ornamentos existem condições que devem ser cumpridas. Dependendo do vendedor, você pode ter que fazer vários Marcos semanais de Assaltos, completar vários desafios, vencer várias partidas de Crisol, etc. Gostei muito da ideia, foi uma adição inteligente pra movimentar o comércio nesses vendedores e nos dar algo mais a buscar.

Também temos agora itens que aumentam a chance de recompensas, além da medalhinha marota da Eververso. O Zavala tem uma medalha que concede um presente para TODOS do esquadrão no final de um Assalto (Geralmente moedas de Facção, mas pode vir itens Lendários com poder relevante ou até mesmo engramas Exóticos!). O Shaxx possui uma medalha semelhante, só que para o Crisol. A Tess possui uma nova medalha, cara por sinal, que te dá algo da Eververso GARANTIDO ao completar certas atividades. Eu só ganhei tonalizador, mas alguns Guardiões mais sortudos ganharam gestos.

O Xûr recebeu dois novos itens em seu inventário: O famigerado 3 de Ouros e um Engrama Exótico diferenciado, que só pode ser adquirido uma vez por semana e te concede algum exótico que você ainda não tenha. Achei desnecessário, o grind não está tão pesado e os itens vem com uma certa facilidade. Esses itens vão deixar ainda mais fácil o que já era relativamente fácil.


As Novidades Acertaram?

Bom, eu ouso dizer que em parte sim. As aventuras Heroicas foram uma boa adição ao jogo, só gostaria que elas se estendessem para as Aventuras dos outros planetas também, talvez até colocando novas informações ou desfechos secretos e que nos contassem histórias relevantes, que acrescentassem algo a história.

A Forja é uma ideia muito boa, mas executada de forma preguiçosa. Se reformulada, pode ser muito mais atrativa, talvez com sets completos temáticos, um para cada época, tal qual os Vex Precursores, Descendentes e os Contemporâneos. Afinal, por que se limitar só a armas, não é?

Mercúrio precisa de um conserto, como área jogável. O uso do pardal lá é proibido para que não sintamos o quão pequena é a área. Mas ainda assim, podemos pensar em expandir PARA BAIXO, ou liberar o acesso a Floresta Infinita de alguma forma. Talvez até mesmo usar portais e nos mandar para o Templo em Chamas ou para o antigo Farol, que possui áreas que nunca sequer entramos por estarem bloqueadas. Colocar mais Eventos Públicos lá seria uma pedida interessante e aumentaria a exploração do lugar. Os eventos de extração dos Cabais e do Pináculo dos Vex podem ser inclusos sem maiores problemas, mesmo com o mapa do tamanho que é hoje.

Os Assaltos Heroicos precisam ter os itens exclusivos de Assaltos de volta! Precisamos ter algo para buscar lá, algo que inspire nossa vontade de repetir esta atividade até obtermos o que queremos.

A Floresta Infinita precisa de uma função muito maior do que só servir de passagem para Aventuras e Assaltos. Repito: Tem um super potencial ali, é só aproveitar.

A Jornada “Lendas Perdidas” é algo muito interessante e acertado. Investigar o paradeiro do São-14 e saber mais sobre ele foi muito legal. Eu particularmente fiquei bastante tocado com o final da jornada., ouvindo o que os personagens estavam falando sobre o lendário Titã. Espero que tenhamos mais jornadas assim no futuro com a participação de outros personagens, mas ainda espero por uma jornada dessa que encontremos algum desses personagens lendários com vida.


Veredito (que saudade das armas da Câmara…)

Vendo a Maldição de Osíris como a primeira DLC de um jogo que tem 3 meses de vida, o conteúdo é satisfatório e até maior que a primeira DLC de Destiny 1. Mas se levarmos em consideração que Destiny se tornou uma franquia que já possui mais de 3 anos, pra mim ficou aquele gostinho de quero mais, aquele sabor agridoce de que faltou algo ou de que a Maldição de Osíris não acompanhou de forma equivalente a expectativa criada em torno do primeiro contato com o Guardião mais notório de toda a Vanguarda.

Acredito fortemente que o jogo pode evoluir ainda mais, mas confesso que esperava mais dessa expansão. Senti falta de uma Incursão temática, mesmo o Antro tendo um boss Vex muito bem trabalhado. Gostaria muito de mais histórias, mais pontas soltas sendo amarradas, algumas remanescentes desde o Destiny 1 inclusive.

Espero que as futuras adições no jogo sigam essa pegada, mas sem deixar pra trás o que fazia e faz sucesso. E que a comunidade continue sendo ouvida, pois se tem uma coisa que a comunidade não pode reclamar é da comunicação com a Bungie agora. E assim vamos, juntos, tornar Destiny 2 um jogo cada vez melhor e mais apaixonante.

NOTA: 7.0


Sejam justos e excelentes uns com os outros, Guardiões.

Edson “True” Souza